Novidades por aqui: eu comecei a escrever algumas crônicas. Não sei se são boas o suficiente para chamar de crônicas, mas estou tentando me aprofundar.
Pra começar, eu escrevi essa crônica no ano novo. Me baseei em algumas que li...
Mostrei para uns amigos e disseram que é triste, mas procurei escrever a realidade.
Espero que gostem!
Kisses
/Line ;*
Antônio era uma criança que não era vista pelo mundo. Todos
os dias acordava e ia para a beira da rua ver se alguém o avistava. E, cada dia
que passava, Antônio era menos visto. Sua mãe já havia explicado que eles eram
invisíveis. Mas para ele, isso não passava de um conto de fadas onde ele era o
herói invisível que gostaria de tirar as crianças da rua.
O tempo passou. O conto de fadas continuava, mas dessa vez, Antônio
era aquele que fazia o desejo de garotos da sua idade entregando pedras
brilhantes para que eles possam ser felizes. Antônio se orgulhava disso.
Antônio não imaginava o que eram aquelas brilhantes pedras e o efeito que elas
causavam.
Antônio viu um anúncio da festa de ano novo. Ele nunca havia
ido a uma festa. Ele sempre esperava sua mãe o levar, mas um dia - há muito
tempo - ela havia dormido e não acordou. Antônio ainda esperava ela acordar para
levá-lo à festa de ano novo. Antônio percebeu, então, que ela não voltaria.
Antônio foi sozinho.
Antônio chegou à praia e viu muita gente rindo e festejando.
Ele não sabia o que era isso, ficou confuso, mas não conseguia parar de olhar
para as estrelas coloridas e brilhantes no céu. Antônio ouvia pessoas dizendo
“ano novo, vida nova” e estranhou a palavra vida. “O que será isso?” ele
pensava. As estrelas pararam de brilhar, então Antônio voltou para a rua.
No caminho, ouviu um grito. Pensou que fosse sua mãe. Parou,
olhou para trás, mas não viu nada. De repente, sentiu uma coisa quente do seu
lado. Olhou e viu uma luz forte. Gritou, caiu. Antônio nunca aprendeu o que era
a tal vida. Antônio nunca entendeu a frase “ano novo, vida nova”. Antônio nunca entendeu que o ano é sempre o
mesmo. Antônio morreu sem se tornar o herói que queria. Antônio morreu sem
saber que o mundo é dos ricos. O menino Antônio morreu sem saber o que é ser
feliz.
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